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23/01/2010

Etiqueta Religiosa

Dúvida de como se comportar num evento religioso? Não sabe o que conversar? Leia este artigo!

 

etiqueta_religiosa+educação_num_evento_religioso+como_comportar-se_numa_igrejaExiste um certo número de restrições que as pessoas naturalmente se impõem quando entram em um lugar sagrado. São limitações naturais inerentes ao seu próprio sentimento de respeito. Não fumar, comer ou beber no interior do templo é um cuidado praticamente geral. Não correr, mas caminhar com dignidade e silenciosamente, e transmitir este comportamento aos filhos, através do exemplo.

Entrada dos fiéis. Nos templos de maiores dimensões sempre existem entradas laterais, porém os fieis devem evitá-las e entrar e sair de preferência pela entrada principal onde são recebidos pelo celebrante, e de onde partirá o cortejo de entrada; também é na porta principal que termina o cortejo de saída ao final da cerimônia, oportunidade para o celebrante conversar ligeiramente com cada membro da comunidade. Nessas ocasiões, não se deve prolongar o diálogo, para que todos que desejarem tenham vez de cumprimentá-lo.

Entrar com atraso. Em qualquer cerimônia que se chega atrasado, deve-se aguardar discretamente à entrada do recinto o momento certo para entrar: A entrada com atraso, ou a saída antes de terminado o serviço, serão notadas pelos presentes, perturbando sua atenção, em certos momentos mais que em outros.

No caso dos católicos, e isto vale também para os ortodoxos, não se deve entrar logo à frente, ou durante o percurso, ou seguindo logo atrás do cortejo em que o sacerdote, antecedido pelos auxiliares do culto, se dirige ao altar em procissão pelo corredor central da nave. Outros momentos inadequados são o da leitura das epístolas e do evangelho. É duplamente prejudicial a entrada de retardatários durante a prédica, porque chama a atenção não somente da assistência, mas também do pregador. Nestes casos, deve-se permanecer ao fundo até que a etapa termine, para então procurar um lugar, o mais discretamente possível. O desejável, portanto, é que as pessoas cheguem um pouco antes da hora marcada e somente deixem seus lugares em conjunto, depois de passar o cortejo, ao final do culto. O muçulmano que chega atrasado à mesquita espera a ocasião em que os fieis estão de pé ou assentados nos tapetes para entrar. Não entra  saltando sobre os seus pescoços, quando estão prostrados com o rosto em terra, em oração.

Estacionamento. Antes mesmo de entrar no templo, o fiel já tem com que se preocupar a respeito de Boas-maneiras. Quando estacionar seu carro, terá o cuidado de deixar o veículo bem alinhado e no centro da vaga. Não deve estacionar no semicírculo reservado a veículos que levam ou buscam passageiros até à porta de entrada do templo. A circulação frente à porta principal é importante no transporte de idosos e deficientes físicos, principalmente em dias de chuva. Essa via deve ser mantida inteiramente livre.

 

O motorista, depois de deixar seus passageiros, procura uma vaga no estacionamento comum  e, se estiver chovendo, usa seu guarda chuva para retornar. Se for necessário reforçar essa norma, o Ministro deve utilizar cones de borracha ao longo de toda a circular, para desencorajar aqueles que não querem perder nenhuma vantagem sobre os outros. Uma pessoa que merece realmente respeito levará seu carro para o estacionamento, em lugar de deixá-lo debaixo do toldo de entrada ou bem pertinho dele. Quando estacionar, terá o cuidado de deixar o veículo bem alinhado no centro da vaga.

Alheamento. O alheamento ao culto é evidente no freqüentador que se engaja em uma conversação cochichada com seu vizinho de banco; no casal que troca beijinhos, acaricia o rosto, os cabelos ou o dorso um do outro; nos jovens que mascam goma, e nas pessoas que passeiam os olhos pelo ambiente, a observar os rostos, as vestes, os penteados das outras. Tais hábitos são incompatíveis com a atitude de recolhimento com que deveriam assistir às celebrações.

O culto, além de sua função religiosa, representa também uma oportunidade de socialização. Porém, são pouquíssimos os templos em cuja construção esse aspecto foi levado em conta, e possuem um hall de entrada amplo, onde os fieis podem se deter para um instante de conversa. Quem deseja chegar um pouco antes do início do serviço religioso pode levar consigo alguma coisa para ler para prender sua atenção enquanto espera pelo início do serviço religioso.

Carinhos inoportunos. Quando, no templo, o casal se coloca unido, dando as mãos, ou estão de braços dados, compreende-se que assim o par deseja receber, conjuntamente, as bênçãos esperadas pelas suas orações. Porém,  passar distraidamente o braço por cima do ombro, pelas costas ou pela cintura, dar beijinhos, acariciar o rosto ou os cabelos ou o dorso do outro, são mostras tão contrárias à devoção religiosa que sua impropriedade perturbará a assembléia.

Almoços paroquiais. Deve-se evitar tratar como garçons os paroquianos que voluntariamente ajudam a servir nas barraquinhas, festas da igreja, churrascos, etc. O paroquiano faz ele próprio tudo que for permitido no sentido de se servir, e assim ocupar o mínimo possível o pessoal de apoio. Colabora evitando manchar o forro da mesa, deixar um guardanapo caído no chão (mesmo que não seja o seu), cadeiras espalhadas, etc., e levando pratos, copos e talheres com que se serviu ao lugar próprio previsto, se não houver pessoal recolhendo tais utensílios.

Asseio. Mãos e unhas limpas para tocar nos livros de orações, no peitoril dos bancos, dar as mãos aos companheiros do mesmo banco onde é costume os fieis se darem as mãos para rezarem juntos, e para o aperto de mão da saudação uns aos outros no momento previsto no ritual.Quem sua muito pode enfiar a mão direita no bolso ou na bolsa onde terá um lenço de papel para enxugá-la sem chamar atenção para esse gesto.

Beijo de veneração. Ao beijar a cruz, uma imagem, o anel do bispo ou a mão do sacerdote, do rabino ou do imã, não é necessário tocar com os lábios; aproximá-los já caracteriza o gesto de beijar. O beijo é um gesto simbólico de respeito, e como tal basta que seja imitado, o que dispensa o contacto.

Chapéu. Na Igreja Católica, os homens que usam chapéu, devem deixá-lo no carro ou entram com o chapéu na mão, porque o costume é que os homens tenham a cabeça descoberta.

Confessionário. Não se deve ficar próximo ao confessionário, um local nos templos católicos – geralmente com a estrutura de uma pequena capela de madeira – onde os católicos têm uma conversa pessoal com um sacerdote e este lhes concede a absolvição de suas faltas morais. Saber que alguem que está próximo pode escutar sua conversa perturba quem está confessando, e é uma atitude indiscreta da parte de quem se aproxima.

Goma de mascar. Não mascar goma, o que é obviamente incompatível com a oração. Se entra no templo mascando, a pessoa pode descartar a goma sem cuspi-la no chão do templo ou pregá-la debaixo do banco e, em lugar disso, embrulhá-la em um lenço de papel que guarda consigo até ter a oportunidade de lançá-lo em uma lixeira.

Idas ao banheiro. Prevenir-se para não necessitar ir ao banheiro durante o culto é um cuidado fácil de se tomar. Quando a cerimônia é prevista ser longa, não sair de casa sem antes atender a qualquer necessidade física, inclusive hidratar-se em épocas quentes e secas. Em caso de necessitar ausentar-se durante o culto, ao retornar a pessoa deve atender às mesmas recomendações que são feitas quanto à chegada após o início dos serviços.

Livro de cantos. Em algumas Igrejas estão dispostos nos bancos, ou em uma mesa à entrada, livretos de cânticos, Bíblias, etc. Como são para o uso dos freqüentadores, não podem ser levados para casa. Manusear esses objetos com cuidado e evitar que sejam danificados é mostra de preocupação com as outras pessoas que haverão de usá-los. Os livros precisam ser abertos com cuidado, de modo a não quebrar o dorso. As fitas de marcação de páginas devem ficar lisas e não torcidas, quando o livro é fechado.

Modos ao sentar. Cruzar as pernas ao sentar não é uma boa postura nem mesmo no meio social, e menos ainda na Igreja. Não apenas por não ser um modo elegante de sentar, mas porque dar-se esse conforto facilitará a pessoa se distrair do respeito e atenção que deve ter todo o tempo em que estiver no recinto sagrado. Ao sentar-se na igreja, mantenha os pés no chão e principalmente não os apóie na tábua ou almofada do genuflexório, e conserve as costas contra o encosto sem se deixar resvalar de modo relaxado para a beira do assento.

Saída. Ao final da cerimônia, a  saída dos fieis somente deve ocorrer após o sacerdote deixar o altar ou, se houver cortejo litúrgico de saída do celebrante, depois que este chegar à porta do templo. Os que estão nos últimos bancos, próximos à porta principal do templo, são os primeiros a sair (e primeiros a se despedirem do celebrante) e não devem dificultar a saída engajando-se em conversação pelo caminho, junto aos bancos, complicando a saída dos outros.

Saída antecipada. Sair antes do encerramento da cerimônia.é como declarar que esteve ali mal tolerando a espera de uma oportunidade para ir embora. Se tem um compromisso e portanto já sabe que precisará sair mais cedo, então procure um assento de onde possa sair discretamente. Caso necessite retirar-se e não pode aguardar o final da prédica, procure não passar pela frente da assembléia, ou sair pela porta da frente dando as costas para o pregador; utilize uma porta lateral perto de onde estiver.

Sapatos sujos. Um número grande de templos, principalmente nas zonas rurais e em bairros mais afastados da cidade, ou  está em locais sem asfalto ou calçamento. As pessoas que chegam, inclusive as que vêm em seus carros, precisam andar em terra poeirenta ou pisar lama  para alcançar a porta de entrada, e torna-se imprescindível que limpem seus sapatos. Cabe ao ministro ou sacerdote que administra o templo colocar, junto às entradas, cascalho lavado e raspadores de lama para as solas dos calçados, e capachos suficientemente grandes seguidos de tapetes de toalhas do lado de dentro, estas umedecidas com água para reter os resíduos nos solados de quem entra.

Tomar assento. Ter um local preferido no Templo, em que toma assento em todas as cerimônias, é um hábito de muitos fiéis. Ao escolher esse ponto, além dos motivos que tem para sua preferência, precisa considerar também aspectos que interessarão aos outros. Pessoas mais altas devem procurar lugar nas pontas junto às naves laterais do templo, a fim de não impedir a muitas pessoas a visão do altar; ou escolher um lugar mais perto da entrada. Porém, quem ocupa a ponta de um banco vazio deve ficar atenta aos que se aproximam dando-lhes passagem do modo o mais gentil e desimpedido possível, para que ocupem as posições do meio.

Uso do celular. A vibração é um recurso de sinal de chamada perceptível apenas para o portador do aparelho. Certifique-se de que esta opção está ativada, quando for a um serviço religioso, a um funeral, ao cinema, etc. Para atender, procure afastar-se de modo a que não seja ouvido pelas pessoas próximas.

 

Vestimenta. Vestir-se conforme os costumes, apresentar-se de corpo e mãos limpas, manter respeitoso silêncio no Templo, não ser desagradável ao outro no convívio da comunidade, ainda que sejam recomendações das autoridades da Igreja, são igualmente objeto de Boas-maneiras e Etiqueta, Não escandalizar, não provocar, são preceitos que os fieis adotam em consenso, a fim de criar no Templo um ambiente de recolhimento e meditação que exclua qualquer forma de perturbação. Ofícios fúnebres, em qualquer religião, em geral pedem roupas escuras e formais.

A roupa domingueira que o indivíduo reserva para ir ao templo –, já não é mais a sua melhor roupa. Sua veste mais fina está destinada a outros ambientes, e causaria reparo se ele a envergasse para assistir a um culto. Salvo para uma cerimônia muito especial, as mulheres não vão ao templo em seus longos e com suas mais finas jóias, nem os homens vão metidos em smokings. O templo não é o local para atrair a atenção para os últimos lançamentos da moda. O que se espera de quem assiste a missa ou culto é que se vista com simplicidade e decência e demonstre cuidado com sua aparência, apresentando-se bem penteado e com uma roupa de boa qualidade.

Vestimenta masculina. O homem não deve mostrar descaso, usando camisa desabotoada, camiseta sem mangas, camiseta com dizeres à frente ou nas costas, bermudas ou roupa e acessórios próprios para esporte como short e tênis vistosos. Gravata e o paletó são indispensáveis para cerimônias formais como casamentos, cultos e missas em que estejam presentes autoridades convidadas. Nunca usam chapéu ou boné, salvo chapéu próprio de um rito e previsto na sua liturgia.

Vestimenta feminina. A mulher, apesar da liberação atual dos costumes, deve fazer condizer o estilo da roupa que vai usar com o recolhimento necessário à oração. O véu é um acessório bonito e seu uso uma mostra de respeito nas religiões que têm como preceito o seu uso. Um chapéu discreto pode substituí-lo em cultos dominicais e cerimônias como casamento e batismo. Devem estar vestidas com decência, com vestidos adequados que não sejam muito decotados e sem mangas, nem muito curtos, com ombros desnudos, costas à mostra, shorts, mini-saias. Nunca é permitida a indumentária de banho, seja para homem ou mulher, mesmo sendo uma capela próxima de uma praia. As mulheres Mesmo sem casamentos esse modo de vestir deve ser seguido.

Visitantes. Aquele que, levado por alguma circunstância especial, visita um templo de outra religião deve informar-se sobre a participação de visitantes na cerimônia que assistirá e de como deverá comportar-se, p. ex., quanto ao uso de véus, o modo de saudação entre os participantes, o tratamento para com o oficiante, etc.

O estranho deve acompanhar os fieis em tudo que sua própria religião aceita ou tolera. Quanto ao que for contrario à sua própria crença, pode abster-se, mas deve mostrar sempre uma expressão de humildade e respeito – preferencialmente de cabeça baixa –, sem observar ostensivamente o ato do qual não participa ativamente. Um judeu que assiste a uma cerimônia católica inclina a cabeça em sinal de respeito enquanto os católicos fazem o sinal da cruz, embora ele próprio não o faça. Porém, quando a comunidade se põe de joelhos, ele deve ajoelhar também, pois isto é tolerável para sua religião e não ofende o seu credo, e apenas não é uma de suas práticas. O mesmo fará o católico em uma sinagoga, quanto a tudo que não ofender os seus dogmas de fé.

Autoridades. Deve-se respeito e reverência à autoridade religiosa (padre, pastor, ministro, etc.) não apenas nas dependências do templo mas também fora dele, ainda que o encontro aconteça em um clube, bar ou restaurante.

Entre os católicos, é opcional o fiel cumprimentar o sacerdote com um beijo na mão e pedir-lhe a benção, ou simplesmente trocarem um aperto de mão, e o mesmo vale para o bispo, de quem se beija o anel, quando o encontro ocorre no templo ou em locais de festa religiosa. Não é aceitável, na Igreja Ortodoxa, os fieis cumprimentarem com um aperto de mão um bispo ou um sacerdote. O fiel deve pedir a benção e o cumprimento deve ser com um beijo na mão do sacerdote e um beijo no anel do bispo. O pastor protestante é cumprimentado com um aperto de mão. O rabino  é cumprimentados com um aperto de mão por homens e uma inclinação da cabeça, pelas mulheres. O imã é cumprimentado com uma inclinação da cabeça por homens ou mulheres. Porém, quando o clérigo é de outra religião, o cumprimento formal é o aperto de mão.

Festas. É uma boa prática de Boas-maneiras a pessoa lembrar-se de cumprimentar um amigo por ocasião da festa nacional do seu país, se ele é estrangeiro, ou nas grandes festas de sua religião, se ele é de outra fé.

Católicos e protestantes comemoram o nascimento de Cristo a 25 de dezembro de cada ano, a festa do Natal, marcada por muita alegria e confraternização, e troca de presentes. Reúne membros da família de todas as gerações, com um carinho especial com as crianças. A ceia da véspera e o almoço no dia são refeições generosas e festivas.

Os ortodoxos celebram o seu Natal no dia sete de janeiro, treze dias depois do Natal dos demais cristãos.

Os judeus comemoram o triunfo sobre os sírios e os gregos no segundo século antes da Era Comum com uma festa muito parecida com a festa natalina dos cristãos. Trocam presentes entre si com atenção especial às crianças, cantam canções próprias e fazem refeições festivas. Assim como eles saúdam os cristãos com votos de “Feliz Natal!”, estes devem retribuir com votos de um “Feliz Hanakkah”. Se o cristão recebeu de um judeu presentes por ocasião do Natal, deve também retribuir presenteando-o no Hanakkah. Essa festa judaica, no entanto, não tem uma data fixa em relação ao calendário gregoriano dos cristãos, porque os judeus seguem seu próprio calendário para suas festividades, e este baseia-se no movimento solar e, principalmente, lunar. A passagem ao Ano Novo dos judeus tem data diferente da passagem de ano do calendário cristão. Ocorre entre meados de setembro e meados de outubro. Mas eles se engajam também nas comemorações do Ano Novo do Calendário da Era Comum (calendário gregoriano), seguindo nesse sentido uma tendência já mundialmente estabelecida.

Os muçulmanos comemoram o ano novo no aniversário da fuga de Maomé de Meca para Medina, data que em geral cai entre Abril e Julho, de acordo com o seu calendário lunar. Porém sua maior festa se realiza ao final do mês de jejum, o Ramadã, que é observado anualmente. Nesse dia, bebidas sem álcool e doces são consumidos em reuniões festivas.

Hierarquia. No que diz respeito à ordem de precedência, o Protocolo oficial é observado também nos eventos privados, e o anfitrião deve inteirar-se da hierarquia própria da comunidade religiosa do clérigo que tem por convidado, se ‘este vem acompanhado de outras autoridades menores da sua Igreja. Os católicos, que tem uma profundidade hierárquica maior que as demais denominações, o Núncio Apostólico, representante do Papa, tem prioridade maior e abaixo, em ordem decrescente, os Cardeais, os arcebispos, os bispos, os bispos auxiliares, os monsenhores, e os demais sacerdotes. O tratamento que se dá ao cardeal é “Sua Eminência Reverendíssima” e “Dom” à frente do seu primeiro nome, e “Cardeal” após seu nome e à frete do sobrenome. Exemplo: Dom Tarcisius Cardeal Garaffa. Em tratamento direto se diz “Eminentíssimo Senhor”. Aos Bispos e Arcebispos, a maneira de tratar é: Senhor Arcebispo ou Vossa Excelência. Aos demais, “Reverendíssimo”. Às religiosas superioras, diz-se Excelentíssima. Senhora Superiora ou Reverendíssima Madre, seguido de “ Irmã” e o nome da religiosa.

Assuntos a evitar. O fiel de uma religião é sensível ao tom pejorativo ou preconceituoso com que alguém, de outra crença, aborda certos assuntos respeitantes à sua fé. Considerando o respeito à auto-estima do outro como preocupação fundamental de Boas-maneiras, deve-se evitar assuntos que signifiquem a intenção de diminuir o outro, desmerecendo sua religião.

Os católicos se sentem embaraçados se lhes falam da Inquisição, pela qual o Papa João Paulo II pediu perdão em público na passagem do milênio da Era Comum. Deve-se evitar também falar da sua veneração às imagens e do celibato dos padres. Não perguntar aos ortodoxos porque não reconhecem a validade dos sacramentos católicos, já que a Igreja Católica reconhece, desde o Concílio Vaticano II, os da Igreja ortodoxa. Com os Protestantes, que também fizeram vítimas com sua própria Inquisição, evitar este assunto e também não comentar a grande quantidade de seitas e a variedade de denominações em que o Protestantismo se divide. Não perguntar aos judeus porque, afinal, mataram a Cristo, ou que coisa é “sionismo”, ou se a circuncisão é obrigatória. Com os muçulmanos, que igualmente praticam a circuncisão (embora mais por tradição que pela religião), também evitar esse assunto. Não comentar a posição das mulheres no mundo islâmico, um tema próprio mais para conferências feministas e não para um encontro social ou conversa em uma festa. A permanente Guerra Santa para exterminar os infiéis e a extração do clitóris das meninas são assuntos a evitar. Os muçulmanos mais esclarecidos explicam esses fatos como distorções da doutrina original que vigoram em comunidades retrógradas, e que não podem ser apresentadas como conceitos religiosos autênticos.

Pagamento de serviços. Inúmeros serviços religiosos nas igrejas cristãs devem ser pagos ao oficiante. Casamentos podem ter taxas fixas, relativas ao uso do templo, e tradicionalmente se dá uma gratificação ao celebrante. Nos demais serviços não taxados, espera-se uma contribuição voluntária quando há gastos por parte da Igreja tais como iluminação, limpeza, ou o deslocamento do sacerdote, quando o serviço religioso é prestado em residência, salão de um clube, etc. Não havendo taxa estipulada, a secretaria da Igreja deve ser consultada sobre qual contribuição seria considerada razoável. A benção de uma residência, a celebração de uma missa, são em geral deixadas a critério da pessoa e esta pode saber de um funcionário do templo qual a contribuição que em geral é oferecida ao celebrante em tais casos. Os serviços religiosos ortodoxos são em geral os mais dispendiosos, devido à maior pompa da sua liturgia, inclusive quando se trata da simples benção de uma residência.

Exageros. Uma pessoa religiosa e entusiasmada com sua fé costuma dar testemunho dela sem medir a impropriedade de suas manifestações principalmente no ambiente de trabalho. Certamente não pertence a Boas-maneiras  tentar, com insistência e superioridade, converter os colegas à sua religião, estar a fazer citações amiudadas da Bíblia, cantarolar hinos, ou convidar todos a se darem as mãos para rezarem juntos antes do expediente. Expressões como  “Se Deus quiser”, “Deus te abençoe”, “Deus de proteja”, “Graças a Deus”, e outras semelhantes se tornam vazias devido a automatização viciosa.

A pessoa que se sente compelida a louvar a Deus a cada minuto, não deve fazê-lo com proclamações a todos, mas no seu íntimo. Oferecer imagens ou ícones a protestantes, judeus ou muçulmanos pode ser considerado proselitismo indesejável e até ofensivo, por desconsiderar flagrantemente a norma de se respeitar a crença alheia, o que também exige do ateu não se empenhar em levantar dúvidas na mente de um crente, motivando, entre ambos, preconceito e distanciamento.

Abstenções. Algumas denominações protestantes não tocam em café, chá ou álcool. Muçulmanos não comem carne de porco ou seus derivados; comem a carne de aves e de gado apenas quando esses animais são abatidos de acordo com um ritual especial. Ao convidar, deve-se respeitar essas particularidades.

Orações ecumênicas. A oração que é proferida diante de pessoas de credos diferente não pode assumir nenhuma tendência religiosa, mas ser proferida em termos aceitáveis por todos. Em cerimônias públicas como inauguração de um negócio, abertura de uma loja, etc.  deve-se proferir orações ecumênicas, que mencionem exclusivamente a Deus, sem referências a Santos e Profetas, ou a  fatos ligados a apenas um dos credos representados no encontro. 

Casamento inter-religioso. Casamentos entre fieis de religiões diferentes enfrentam hoje  menos resistências que a meio século atrás. Podem ser realizadas duas cerimônias, ou uma cerimônia única, celebrada conjuntamente pelos ministros da religião do noivo e da noiva. Neste último caso o local do casamento costuma ser o templo da religião da noiva, devido à tradição da recepção do casamento ser responsabilidade da sua família. Decidir qual procedimento será adotado e obter em tempo as autorizações eclesiásticas pertinentes deve ser a primeira preocupação dos noivos no planejamento do seu casamento.

Padrinhos de batizado. Diferentemente dos casamentos, não é costume fazer um ensaio para um batizado. É, portanto, uma boa medida passar aos padrinhos a orientação sobre o que deverão fazer, e as respostas que eles deverão dar durante a prece batismal. Algumas igrejas oferecem cursos para padrinhos, e podem não aceitar batizar a criança se os padrinhos não tiverem o respectivo certificado. Se  os pais e os padrinhos são de religiões diferentes, torna-se difícil a realização do batizado. Há alguma possibilidade apenas se ambas as religiões forem cristãs, e se torna improvável se, p. ex., os pais são católicos e o padrinho ou madrinha judeus. A razão é que os padrinhos assumem, no ato, uma responsabilidade religiosa em relação à criança batizada, e não terão condições para tal, se o afilhado não é da mesma religião que eles.

Por isso, antes de fazer o convite para padrinhos, os pais da criança devem discutir com a autoridade eclesiástica a condição de fé, situação matrimonial (divorciados talvez não sejam aprovados) das pessoas escolhidas, a fim de evitar frustrações, mal estar e mesmo discussões quando se apresentarem junto à pia batismal.

Entre os judeus não existe a figura do padrinho com responsabilidades semelhantes às que lhe são atribuídas pelos cristãos. O padrinho ou madrinha de um menino judeu é o homem ou a mulher que a carrega no momento da circuncisão. Porém, como não está previsto que ele ou ela assumam responsabilidade quanto à educação religiosa da criança, não há oposição a que sejam de outra fé.

Rubem Queiroz Cobra

 

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