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30/01/2010

EDIÇÃO EXTRA: Viroses e diarreias: previna-se das doenças comuns no verão

O rotavírus é encontrado nas fezes infectadas e pode ser transmitido via fecal-oral, contato pessoa a pessoa ou por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados e sua incubação varia de 24 a 48 horas. Vacinação contra Gripe A começa em março. Leia mais em www.nordestetudotem.com

O que atualmente as pessoas conhecem como “virose”, os especialistas reconhecem como doença, pois pode ser Vírus+contaminação_virótica+rotavírus+combate_a_vírusocasionada por um rotavírus, principal causador de diarreias graves (gastroenterite) na infância, principalmente em crianças menores de cinco anos. Mais diagnosticado no verão, o rotavírus pode se manifestar em todas as estações e é responsável por mais de 400 mil óbitos por ano nos países considerados em desenvolvimento, como o Brasil.

O rotavírus é encontrado em alta concentração nas fezes infectadas e pode ser transmitido via fecal-oral, contato pessoa a pessoa ou por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados. O período de incubação é curto e varia de 24 a 48 horas.

Após o contágio, os principais sintomas são a presença de vômitos, diarreia, febre e dor abdominal, que podem durar de quatro a oito dias. A doença se caracteriza por fezes normalmente líquidas e abundantes e pode apresentar sinais gripais como coriza ou tosse.

O principal risco trazido pelo rotavírus é a desidratação, caracterizada boca seca, olhos encovados, prostração ou irritabilidade. Em um estágio mais grave de desidratação, a pessoa pode até ‘parar’ de urinar por várias horas e ficar sonolenta. Esses sintomas devem servir de alerta, pois quanto mais precoce a intervenção médica, menor a chance de hospitalização.

cuidados_com_vírus+como_funciona_a_água+desidratação+hidratação+água_para_o_corpoO diagnóstico é clínico, realizado por meio da presença de sintomas e, se necessário, pela análise de amostra de fezes. O especialista explica que não existe nenhum tratamento específico para o rotavírus. A desidratação deve ser combatida com a ingestão de líquidos e os sintomas, em especial a febre, devem ser tratados. Em caso de desidratação leve ou moderada, a hidratação pode ser feita por meio da oferta de soro oral (caseiro ou farmacêutico) que deve ser ministrado enquanto houver a presença de vômitos e diarreia. Já na presença de desidratação mais grave pode ser indicada, a critério do médico, a internação hospitalar para hidratação venosa. No entanto, medicações constipantes não estão indicadas na infecção pelo rotavírus.

Qualquer pessoa está sujeita a contrair o rotavírus, mas as crianças são as mais acometidas. Em adultos a doença é mais rara, mas são registrados surtos em espaços fechados como ambientes de trabalho, hospitais e escolas.

Além do rotavírus, outros vírus também podem causar diarreias. Dentre estes o norovírus tem aumentado sua participação em surtos como em alguns dos casos ocorridos no litoral de São Paulo nesta temporada. A forma de transmissão do norovírus também se dá através da ingestão de água e alimentos contaminados e por contato pessoa-pessoa. A evolução do quadro é semelhante às diarreias causadas pelo rotavírus.

 

Prevenção

As medidas de prevenção incluem a ingestão de água potável apenas de fonte confiável e evitar banhar-se em praias, lagoas e rios que não estejam liberados para banho pelas autoridades sanitárias. Nos locais onde não haja garantia de que a água seja de boa qualidade, deve-se dar preferência à ingestão de bebidas industrializadas, evitando o consumo de sucos preparados com água não confiável.

Além das medidas tradicionais de higiene e saneamento básico para a prevenção da contaminação pelo rotavírus e norovírus, existem vacinas apenas contra o rotavírus administradas por via oral, eficazes e seguras. A vacina indicada no calendário infantil e aplicada nos postos de saúde é eficaz, mas protege contra apenas um sorotipo do rotavírus. Mais recente no mercado, a vacina pentavalente protege contra 5 sorotipos diferentes do rotavírus, responsáveis por quase 90% da doença causada por esse vírus no mundo.

O esquema da vacina oral pentavalente recomendado é de 3 doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade, simultaneamente com as vacinas contra difteria, tétano, caxumba, hemófilo influenza e poliomielite. O intervalo mínimo entre as doses é de 4 semanas.

A primeira dose deve ser aplicada preferencialmente aos 2 meses de idade (idade mínima de 6 semanas e máxima de 12 semanas). A segunda dose, aos 4 meses de idade (idade mínima de 10 semanas e máxima de 14 semanas) e a terceira dose aos 6 meses de idade (idade mínima de 14 semanas e máxima de 32 semanas). Contudo, é importante seguir as recomendações dos profissionais da saúde para cada aplicação.

 

Dicas para evitar a contaminação por vírus:

- Ferva a água por 30 minutos antes de consumi-la; Combatendo_vírus+Água_na_limpeza

- Prefira frutas que possam ser descascadas no momento do consumo;

- Evite consumir bebidas preparadas em locais sem condições de higiene ou que venham com gelo, pois a água pode estar contaminada;

- Prefira alimentos industrializados aos lanches, espetos e outros alimentos vendidos na praia;

- Cuide para que os alimentos sejam guardados e refrigerados corretamente;

- Lave cuidadosamente as mãos, principalmente após utilizar o banheiro e antes de se alimentar.

 

 

Dr. Alberto Chebabo é infectologista do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica/DASA.

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